Fundamentos de Tracking

gclid, fbclid, ttclid: o guia dos identificadores de clique

BS

Bruno Schuck

Analista de Sistemas

Publicado em 8 de agosto de 20269 min de leitura
Identificadores de clique nas URLs: gclid, fbclid, ttclid, msclkid e outros
identificadores de cliquegclidfbclidttclidmsclkidgbraidwbraid

Atualizado em

Toda vez que alguém clica num anúncio, a plataforma faz algo que passa despercebido: acrescenta um código na URL de destino. Esse código é o identificador de clique, e ele é a peça mais subestimada de qualquer sistema de rastreamento.

É por causa dele que dá para saber que o lead veio de uma campanha específica mesmo quando ninguém marcou a UTM. E é por não entender as diferenças entre eles que muita gente reporta tráfego pago como orgânico — ou o contrário.

Este guia reúne o que cada identificador é, quanto tempo dura, o que dá para fazer com ele e onde cada um engana. Para ver onde essa camada entra no setup completo, leia sistema de trackeamento: o guia completo para montar.

Anatomia de uma URL com identificador de clique destacado ao lado dos parâmetros UTM
Anatomia de uma URL com identificador de clique destacado ao lado dos parâmetros UTM

Identificador de clique x UTM: qual a diferença

São coisas diferentes, e confundir as duas é a origem de metade dos problemas de atribuição:

CritérioUTMIdentificador de clique
Quem colocaVocê, manualmenteA plataforma, automaticamente
Some se ninguém marcar?SimNão
O que descreveO que você disse que a campanha éO clique real que aconteceu
Erro humanoFrequenteNão existe
Serve para conversão offlineNãoSim, é o que a plataforma reconhece

A UTM é a sua etiqueta. O identificador é o recibo da plataforma. Um sistema de tracking maduro usa os dois: a UTM para leitura humana e o identificador para atribuição e devolução de conversão.

Tabela de referência

ParâmetroPlataformaO que identificaObservações
gclidGoogle AdsClique em campanha de busca, display, shopping e outros formatosÉ o identificador mais completo para importar conversão offline no Google Ads.
gbraidGoogle AdsConversões de app e cenários iOS quando o gclid não está disponívelIdentificador agregado, sensível a maiúsculas/minúsculas e criado para cenários de privacidade.
wbraidGoogle AdsAtribuição de conversões web em iOS/ATT quando o gclid não é enviadoAjuda a medir conversões web em ambientes onde o identificador individual não fica disponível.
gad_campaignidGoogle AdsCampanha de origemComplementa os parâmetros de clique em alguns formatos; identifica campanha, não clique individual.
fbclidMeta (Facebook/Instagram)Clique originado em uma superfície da MetaCuidado: não prova que foi pago, porque links orgânicos compartilhados também podem carregar o parâmetro.
ttclidTikTok AdsClique em anúncio do TikTokUsado com Pixel ou Events API para atribuição, otimização e mensuração.
msclkidMicrosoft Ads (Bing)Clique em anúncio do Microsoft AdvertisingEquivalente ao gclid no ecossistema Microsoft; deve ser capturado para UET, CAPI e conversões offline.
li_fat_idLinkedIn AdsClique em anúncio do LinkedInGerado pelo Enhanced Conversion Tracking e usado como sinal de correspondência para conversões.
epikPinterestClique ou interação de anúncio do PinterestA documentação recomenda usar também o cookie _epik quando o parâmetro some da URL.
ScCidSnapchat AdsClique ou swipe em anúncio do SnapchatGrafia oficial documentada: ScCid, tratado como Click ID para Conversions API.
twclidX AdsClique em anúncio no X/TwitterX documenta twclid como Click ID para Pixel e Conversion API.
igshidInstagramCompartilhamento orgânico ou link compartilhado no InstagramNão é prova de anúncio pago; trate como sinal orgânico ou de compartilhamento.

Regra prática: todo identificador que termina em clid costuma ser click ID de anúncio. As exceções que enganam são fbclid, que nem sempre é pago, e igshid, que não deve ser classificado como campanha paga.

A armadilha do fbclid

Este ponto merece seção própria porque custa dinheiro.

O fbclid não prova que o clique foi pago. Ele aparece em qualquer link que passa por uma superfície da Meta, inclusive quando alguém compartilha o seu artigo no Facebook e outra pessoa clica.

Se o seu sistema trata todo fbclid como tráfego pago, três distorções aparecem no relatório:

  • O volume de leads de Meta Ads incha com gente que veio de compartilhamento orgânico.
  • O custo por lead do Meta parece menor do que é, porque o mesmo investimento é dividido por mais leads.
  • Você aumenta a verba de um canal que pode estar performando pior do que o relatório sugere.

O tratamento correto exige cruzar o fbclid com outros sinais: presença de UTM de campanha, referrer, padrão da sessão e histórico do visitante. Essa decisão precisa acontecer com uma regra única para todos os canais, e não em cada tela do painel.

É exatamente isso que o LeadInsight faz: a classificação de origem usa a mesma régua para campanha, link orgânico e retorno posterior. Veja em rastreamento sem UTM.

Quanto tempo o identificador sobrevive

O identificador chega na URL, mas precisa ser guardado — e é aí que a maioria das implementações falha.

O que costuma acontecer de errado:

  • Guardar só na sessão. A pessoa sai, volta dias depois e converte. O identificador já morreu.
  • Guardar só em cookie de navegador. No Safari, cookies definidos via JavaScript podem durar menos do que o ciclo real de venda. O Firefox e bloqueadores também podem reduzir o sinal.
  • Não gravar no lead. O identificador fica no visitante, mas quando o contato preenche o formulário nada é copiado para o cadastro dele. Na hora de devolver a conversão para a plataforma, não há o que enviar.

O que funciona: capturar o identificador no primeiro acesso, gravá-lo no registro do lead e mantê-lo lá pelo tempo do seu ciclo de venda. Quando a origem fica presa só na sessão, ela não acompanha o contato até a venda.

Para que servem além de saber a origem

Identificar a campanha é o uso óbvio. Os dois usos que geram mais retorno são outros.

Primeiro: conversão offline. Quando a venda fecha depois, no CRM, no telefone ou no WhatsApp, você devolve o evento para a plataforma usando o identificador do clique original. Sem ele, não há como Google, Meta ou outro canal reconhecerem qual clique gerou aquela venda. É o que faz o algoritmo procurar quem compra, em vez de quem só preenche formulário.

Segundo: deduplicação. Rodar pixel e API de conversões ao mesmo tempo é recomendado, mas sem chave de deduplicação você pode contar a mesma venda duas vezes. O identificador do clique, combinado com o identificador do evento, ajuda a ligar as duas leituras ao mesmo acontecimento.

Leia também: conversão offline: do CRM de volta para Google e Meta e pixel + CAPI sem contar conversão duas vezes.

Checklist de implementação

Checklist de captura e persistência de identificadores de clique
Checklist de captura e persistência de identificadores de clique

O item mais esquecido é o penúltimo: encurtadores e redirects mal configurados apagam a query string inteira. O anúncio manda o identificador, o redirect derruba, e o lead nasce sem origem. Vale testar cada link antes de subir campanha.

Fontes

Conclusão

Identificador de clique é o recibo que a plataforma emite quando alguém clica no seu anúncio. Quem captura, guarda no lead e usa esse recibo na hora de devolver a conversão consegue medir campanha por receita real. Quem depende só de UTM depende de ninguém errar — e alguém sempre erra.

Se você desconfia que parte dos seus leads chega sem origem, comece testando um link de cada campanha ativa: clique, veja se o parâmetro sobrevive ao redirect e confira se ele aparece no cadastro do lead depois do formulário.

Quer ver quais dos seus leads estão chegando sem origem? Conheça o rastreamento de leads do LeadInsight.

Perguntas frequentes

gclid é o identificador de clique do Google Ads, adicionado automaticamente à URL quando alguém clica em um anúncio. Ele permite ligar aquele clique específico à campanha, ao grupo e ao anúncio de origem, além de servir para importar conversões offline no Google Ads.

fbclid é o parâmetro que a Meta adiciona a links clicados em suas plataformas, como Facebook e Instagram. Ele indica que o clique passou por uma superfície da Meta, mas não comprova sozinho que foi um anúncio pago, porque links orgânicos compartilhados também podem carregar o parâmetro.

A diferença entre gclid e UTM é que o gclid é adicionado automaticamente pelo Google Ads e identifica o clique real, enquanto a UTM é marcada manualmente e descreve como a campanha foi nomeada. O gclid serve para atribuição e conversão offline; a UTM serve para leitura e organização.

gbraid e wbraid são identificadores do Google Ads para cenários de privacidade, especialmente em ambientes iOS onde o gclid pode não estar disponível. Eles preservam parte da mensuração de conversões, mas trabalham com menos granularidade do que um identificador individual como o gclid.

Sim, você ainda deve marcar UTM mesmo quando captura identificadores de clique. O identificador garante a atribuição técnica quando a UTM falha, e a UTM organiza a leitura humana dos relatórios. Uma implementação madura captura os dois.

Seu lead aparece como direto quando o identificador se perde no caminho entre clique e conversão. Isso pode acontecer por encurtador que descarta a query string, redirecionamento mal configurado, formulário que não repassa parâmetros ou armazenamento preso apenas à sessão do navegador.

Sim, identificadores de clique funcionam no iPhone, mas precisam ser armazenados corretamente. Se ficarem só em cookie de navegador, restrições do Safari podem reduzir a persistência. Ao gravar a origem no lead, o dado acompanha o contato mesmo quando a venda acontece depois.

Existem identificadores diferentes para cada plataforma de anúncio. Os mais comuns são gclid, gbraid e wbraid no Google, fbclid na Meta, ttclid no TikTok, msclkid na Microsoft, li_fat_id no LinkedIn, epik no Pinterest, ScCid no Snapchat e twclid no X.
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Bruno Schuck

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